Coral-se, Carol-se, Reci-fe

Distraída, a menina de sardas douradas e tranças-corda ‎em vermelho ardente, plasmava-se encantada com a possibilidade de um futuro encantamento, enquanto seu corpo refrescava-se no contato firme com a porta da qual esperava a vida chegar e passar. E, com a delicadeza insultante que lhe é própria, plainou a borboleta. Sondava-a. Procurava repouso em um dos gomos vermelhos dos seus longos cabelos trançados. Escolheu o fio de cabelo mais especial para contar-lhe o mais próximo possível o seu segredo. De um lilás com azul, com azul e lilás, quase verde, de tão único. Encaixou-se. Pediu licença com o leve vento que suas asas criaram a todos os fios não escolhidos: bastava um, lamentou-se. Pousou. Sentou-se com delicadeza abrindo as asas em agradecimento pelo macio recebido, permitindo o sol em suas asas translúcidas. Espelharam o roxo, o lilás, o viço. A menina, trêmula, de um calor que nem mil contatos não abrandaria, afogueou-se, ansiosa em ouvir o segredo meticulosamente guardado. Seu rosto fora tomado pelo vermelho dos que se enrrubecem de nobreza inocente. Ganhou cor. A pálida menina, corou-se.